Isolados, moradores do acampamento Jatobá fazem ‘vaquinha’ para comprar máscaras a idosos

Na comunidade há muitas pessoas do grupo de risco, como o aposentado José da Rosa, de 70 anos e a mulher dele, dona Cleusa Correia da Costa.

Aposentado José da Rosa, de 70 anos. - Foto: Marco Tomé/Região News

Oficialmente Sidrolândia entra nesta segunda-feira no terceiro mês de quarentena por causa da pandemia do Covid-19. Entretanto, medidas simples de proteção, como a higienização das mãos com álcool em gel, o uso cotidiano de máscaras, ainda não foram levadas pelo poder público a uma das comunidades mais vulneráveis da cidade, o assentamento Jatobá, um núcleo de favela formado na antiga esplanada ferroviária, a poucos metros da principal avenida comercial da cidade, a Dorvalino dos Santos, onde moram, muitas delas em barracos, 150 famílias.

Perto dali, na parte antiga da ocupação, reside o casal de funcionários da JBS que contraiu o novo coronavírus numa viagem ao Pará, foi afastado do trabalho e está concluindo a quarentena domiciliar.

Na comunidade há muitas pessoas do grupo de risco, como o aposentado José da Rosa, de 70 anos e a mulher dele, dona Cleusa Correia da Costa, de 67 anos, que moram em duas peças.

"Conto com Deus e a ajuda dos amigos para me proteger", afirma o senhor José. Hoje ele e a mulher andam de máscaras porque a presidente da Associação dos Moradores, Maria Aparecida, comprou 25 máscaras com o dinheiro que tinha em caixa na entidade, que recebe R$ 10,00 de cada morador. "Como não conseguimos apoio da Saúde, comprei máscaras e entreguei para quem mais precisa, além de orientar quem recebo a diariamente lavá-la para reaproveitar".

Com ajuda de técnica de enfermagem que mora na vizinhança, dona Cida cumpre um papel que deveria ser exercido por agentes de saúde. Orienta os vizinhos a usarem máscaras, higienizar as mãos com álcool em gel.

Com apoio de uma ONG, que instalou na comunidade lampiões movidos a energia solar, comprou 25 cestas básicas para socorrer quem mais precisa.